14.8.08

ARQUITETURA JAPONESA EM SAMPA

O Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, expõe projetos dos arquitetos japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, que fundaram em 1995 o Escritório Sanaa, com sede em Tóquio. Sejima e Nishizawa assinam a obra do Museu do Século 21 de Arte Contemporânea de Kanazawa, no Japão, projeto que, junto ao trabalho de ampliação do Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM), na Espanha, rendeu a dupla o Leão de Ouro na Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, em 2004.
Os arquitetos também foram os responsáveis pelo projeto do recém-inaugurado New Museum of Contemporary Art, em Nova York (foto). No Tomie Ohtake serão apresentados 40 projetos da dupla, entre 22 maquetes, desenhos, fotos, vídeos e peças de design, como cadeiras, aparelhos de chá e café, pratos e talheres.
Sejima e Nishizawa administram atualmente duas equipes em um edifício em Tóquio. Os grupos operam projetos individuais de cada um dos arquitetos e trabalham juntos na realização das obras que levam a assinatura Sanaa.
Entre outros projetos que se destacam na carreira da dupla estão o Pavilhão de Vidro do Toledo Museum of Art, em Ohio, nos EUA, inaugurado em 2006, e o projeto da filial do museu do Louvre em Lens, na França, com previsão de inauguração para 2010.
A exposição, intitulada "SEJIMA + NISHIZAWA / SANAA: Flexibilidade, Transparência, Amplitude", fica em cartaz até 28 de setembro e pode ser visitada de terça a domingo, das 11h às 20h, com entrada gratuita.
Fonte Jornal Folha de S.Paulo

11.5.08

ARTACHO JURADO: ARQUITETURA PROIBIDA

Em Artacho Jurado: arquitetura proibida, o arquiteto Ruy Eduardo Debs Franco analisa trajetória e o legado de João Artacho Jurado, empresário do setor imobiliário que atuou no mercado paulistano e santista, sobretudo na década de 1950, tornou-se polêmico em decorrência das particularidades de seus projetos. Sem ser graduado quer em engenharia civil quer em arquitetura, Artacho planejou e ergueu edifícios que contrariavam os preceitos defendidos pelos profissionais da época. Tachado de excessivo no uso de elementos decorativos com o intuito de causar impacto e conseguir vendas imediatas, Jurado não descuidou, porém, de itens como espaço, luxo e conforto ao considerar o processo de verticalização da cidade. Atento ao déficit de moradias, ocasionado pela expansão do município e à oferta de terrenos baratos em bairros de tradição nobre, Artacho projetou condomínios residenciais que correspondiam aos desejos de ascensão social da classe média emergente, o que garantiu o sucesso de seus empreendimentos.

João Artacho Jurado (1907-1983) nasceu e morreu em São Paulo. Filho de imigrantes espanhóis completou apenas o primário. Seu pai, anarquista, tirou os filhos da escola em protesto contra a obrigatoriedade de jurar a bandeira. Mais tarde, fez curso de desenho e arquitetura. Com o irmão Aurélio, fundou duas construtoras: a primeira, Anhanguera, e, a segunda, Monções. O reconhecimento de suas obras foi tardio: foi impedido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil de assinar suas criações.
Dentre suas obras destacam-se o EDIFÍCIO VIADUTOS , localizado no Viaduto Maria Paula, em frente à Câmara Municipal, no Centro de São Paulo, que mistura estilos - do moderno, o nouveau, o déco, o clássico, além dos elementos étnicos; E o EDIFÍCIO BRETAGNE, no bairro de Higienópolis, que foi apontado pela revista inglesa Wallpaper como um dos melhores edifícios para viver no mundo.

13.4.08

O COMPLEXO DO GASÔMETRO

livro Complexo do Gasômetro - A Energia de São Paulo, de autoria dos arquitetos Luis Antonio Magnani e Hugo Segawa.
O livro, uma iniciativa conjunta entre a Via das Artes, Restarq Arquitetura Restauração e Arte e a Comgás, relata o trabalho de restauração dos prédios remanescentes do Complexo do Gasômetro, conjunto arquitetônico tombado como patrimônio cultural de São Paulo e as adequações feitas para que ali voltasse a funcionar e abrigar a sede operacional da Companhia de Gás de São Paulo.
O Complexo do Gasômetro, implantado pela San Paulo Gas Co Ltda. em 1870, era o centro de distribuição do gás utilizado para a iluminação pública urbana, nas casas, no comércio e para o acionamento das máquinas da nascente metrópole industrial. Localizado no Brás, ao lado do Parque D. Pedro II, região central de São Paulo, ainda hoje é um marco na paisagem da cidade, principalmente pelas estruturas metálicas que formavam os dois balões, utilizados até 1974 para o armazenamento do gás produzido a partir da queima do carvão mineral.
Os prédios do Complexo foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo – Condephaat – e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Conpresp. Os trabalhos de restauro foram iniciados nos primeiros meses de 2006. O resgate da história e da recuperação do Complexo do Gasômetro é apoiado por ampla e detalhada iconografia, restituindo mapas, desenhos, fotografias, plantas e propagandas de época, bem como o registro fotográfico de fases do restauro e o minucioso e delicado processo de levantamento métrico-arquitetônico em preciosos desenhos a mão-livre.


23.2.08

UMA PONTE UNINDO O PARQUE CIDADE E A DASLU

Em setembro de 2006 foi realizado o Concurso Nacional de Idéias com o objetivo de escolher o projeto da ligação entre o
condomínio Parque Cidade Jardim e a loja Daslu, localizados em margens opostas do Rio Pinheiros, em São Paulo. O mote era discutir, de forma bem-humorada, a segregação social, o consumo e o neoclassicismo nas grandes metrópoles.
O júri composto pelos arquitetos Abílio Guerra, Álvaro Puntoni, Carlos Teixeira, Fernando de Mello Franco, Guilherme Wisnik e Leandro Medrano, avaliou os trinta e três projetos enviados, com propostas para interligações terrestres, aéreas e aquáticas entre os dois locais
O vencedor foi "#16-Avestruz" (foto) da equipe paulista formada por Vania Tramontino, Alberto Fernando Cândido, Mayara Lopes e Lopes e Olívia Fontanetti. No memorial do projeto os profissionais descrevem
"COMO TORNAR A PASSAGEM POSSÍVEL? A loucura torna possível a passagem pela ponte. Ela é a chave, permitindo que o indivíduo crie o avestruz e a partir dessa transformação, idealize uma outra dimensão fantasiosa do mundo espetacular restritivo. Segundo dicionário Michaelis¹: "Loucura. 2. desarranjo mental que, sem que a pessoa afetada estar ciente do seu estado, modifica profundamente o comportamento e torna-a irresponsável." Nos apropriando do conceito da loucura podemos concluir que essa modificação profunda de comportamento pode ser a própria transformação em Avestruz. Só os avestruzes passarão para a outra dimensão... O Avestruz, segundo mitologia popular, “é famoso por esconder sua cabeça na areia ao primeiro sinal de perigo" ².
A loucura já introduziria uma nova dimensão para o indivíduo avestruz. No entanto, para entrar na realidade cor-de-rosa, ela por si só não seria suficiente. Necessita-se uma distinção, dá-se a argola dourada, único material capaz de quebrar as moléculas doces da película que forma a bola de goma-de-mascar, permitindo a introdução da pequena cabeça do avestruz, se considerada a proporção com o corpo, mas que logo se adapta como “vedete do espetáculo, numa vida aparentemente sem profundidade, de imagem de estilos de vida em sociedade"³.
Não nos cabe dizer qual das realidades é melhor ou pior; moral, imoral ou amoral; ou ainda qual represente o bem ou o mal. Não nos cabe uma classificação dual pois essa seria redutiva. O fato é que existem duas realidades muito claras e talvez um único fato: A bola de goma-de-mascar pode, e vai, estourar a qualquer momento.
¹ Definição de loucura segundo Moderno Dicionário da língua Portuguesa Michaelis. Editora Melhoramentos.
²
http://pt.wikipedia.org/wiki/Avestruz
³ DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. Comentários sobre a sociedade do espetáculo, citação n.61. Rio de Janeiro: Contraponto, 1998.

As demais propostas podem ser vistas no http://www.geocities.com/concurso.ponte