Quarenta anos após sua construção, a Casa Bola da Rua Amauri continua a causar espanto e admiração. Essa experiência arquitetônica, idealizada na década de 1970 pelo arquiteto Eduardo Longo, foi concebida para ser industrializada e ser vendida em escala.
Eduardo Longo pensava em construir habitações modulares que valorizassem a individualidade dos moradores e o dinamismo da cidade. A Casa Bola, que através do seu formato circular “preservaria o isolamento dos vizinhos (já que os imóveis não seriam geminados) e haveria a possibilidade de construir prédios altos e compridos. Além disso, a bola tem um volume perfeito, nenhum objeto é mais leve do que ela”.
“Meu sonho era fazer prédios em que cada apartamento seria uma esfera, feita na fábrica e plugada na estrutura. Teríamos grandes edifícios, altos e longos, e o grande diferencial seria o espaço vazio entre as unidades. Cada apartamento seria absolutamente independente da outra unidade, a ponto de você poder tirar um e colocar outro." Segundo o arquiteto.
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Eduardo Longo, 78 anos, formou-se arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie (São Paulo) (1961-1966), e pertence à geração de arquitetos que se lançaram na busca de novos caminhos como forma de superar o impasse gerado pelo esvaziamento do movimento moderno.
Ainda estudante, Longo definiu uma linha de trabalho que permeou toda sua carreira: maior liberdade de expressão plástica, atitude inusitada diante de programas simples e soluções desvinculadas de qualquer grupo ou corrente. Uma tomada de posição diante de um contexto conturbado em várias frentes: revolução cubana, geração hippie, maio de 68 francês, conquista da Lua e no Brasil golpe militar de 64, entre outros eventos contundentes.
Segundo Longo “O processo de criação antecede ao processo teórico; a criação é intuitiva e não teórica.” O processo de projeto de Longo é vinculado fortemente ao desenho. Desde sua concepção em que estabelece um diálogo exaustivo com o croqui, até a forma peculiar de apresentação dos projetos executivos, onde mescla o rigor de plantas e cortes a uma forma bem humorada de povoar os ambientes com figuras humanas.
Conforme análise de Carlos Lemos “A obra de Eduardo Longo é totalmente desvinculada da produção arquitetônica brasileira, e até mesmo de grupos que pudessem caracterizar uma arquitetura paulista. Liberto de qualquer imposição teórica – talvez, antes de tudo, um intuitivo - soube, com maestria criar espaços (..).
Fonte: http://revista5.arquitetonica.com/index.php/magazine-1/arquitetura/eduardo-longo-arquitetura-e-contracultura