13.7.21

PAULICEIA ABANDONADA


Por trás da espessa camada de pó, do tijolo rachado e da parede descascada, eles enxergam história, arquitetura e belas esculturas capazes de contar um pouco do cotidiano esquecido da cidade de São Paulo. 

Desde janeiro de 2009, o fotógrafo Douglas Nascimento e a historiadora Glaucia Garcia de Carvalho reúnem no site "São Paulo Antiga" dezenas de registros fotográficos de construções escondidas pelos cantos da capital. São casas, galpões, prédios, lojas, palacetes e fábricas, que correm o risco de desabar ou serem demolidos. 

Desenvolvido a partir de ideias apresentadas através dos projetos internacionais, o português Lisboa Abandonada, o norte-americano Forgotten NY e também pelo argentino Basta de Demoler, onde cidadãos desenvolvem arquivos fotográficos e iconográficos registrando construções esquecidas na cidade, Douglas Nascimento elaborou o projeto de catalogação e histórica da cidade de São Paulo chamado inicialmente de: “São Paulo Abandonada”.

"Inicialmente, o projeto era fotografar só casas antigas. Mas eu percebi que, como a cidade está em constante mutação, é interessante fotografar todas as construções que fazem parte do nosso cotidiano. Eu não tenho mais esse tabu de fotografar um imóvel novo que esteja abandonado. Na medida do possível, eu fotografo tudo", explicou Nascimento, que pretende documentar tudo aquilo que não puder ficar de pé - seja pela gana da especulação imobiliária, seja pela ação do tempo - para as futuras gerações. Ele conta que sempre teve como hobby sair aos finais de semana bem cedo para fotografar a arquitetura da cidade e que percebeu que muitos dos lugares que visitava, depois de algum tempo, eram drasticamente modificados ou deixavam de existir. 

"Então, decidi que era hora de tentar fazer alguma coisa para mostrar essa transformação. Passei a estudar, comprar livros de arquitetura, aprendi o que é art nouveau, art déco, arte moderna, o que é um frontão. E conforme eu ia estudando, fotografava coisas mais específicas. Quando vi já tinha um banco de dados considerável", lembra. O site também funciona como um canal para que os moradores da cidade denunciem a falta de cuidado com o patrimônio histórico e fiscalizem a ação do poder público. 

O fotógrafo anota todos os lugares indicados pelos internautas, junta com aqueles que ele descobre, e coloca tudo em uma planilha dividida por regiões. "Eu ando a cidade inteira por conta do meu trabalho. Não dá para parar e fotografar toda vez que eu vejo um lugar interessante. Mas eu levo um gravador digital comigo e, quando eu vejo um prédio abandonado, faço anotações de voz. Depois volto para fotografar", explica. 

Achar preciosidades perdidas entre as cerca de 400 mil construções abandonadas em São Paulo é apenas a primeira parte da história. Depois que o imóvel é fotografado, a dupla começa um árduo trabalho para tentar descobrir um pouco mais sobre a história daquele lugar, que envolve pesquisa on-line, no Arquivo Histórico Municipal, no Arquivo do Estado e também conversas com vizinhos e moradores da rua. "Mesmo quando é um imóvel simples, como uma casa que achamos na Penha, as pessoas participam, escrevem e contam que ali morava um tal de Chicão, que era de tal jeito, que ajudava as pessoas do bairro. E assim, as pessoas alimentam a própria história dos imóveis", disse Nascimento. Fabiana Uchinaka do UOL Notícias, São Paulo

https://saopauloantiga.com.br/tag/sao-paulo-abandonada/

 

19.4.21

OS PORSCHE SOBREVIVENTES EM CUBA


Estima-se que cerca de trinta Porsche desembarcaram em Cuba antes do triunfo da revolução. A maior parte deles do modelo 356, fabricados na Áustria e na Alemanha entre 1948 e 1965. Também chegaram uma série de unidades muito especiais, algumas das quais foram usadas nos Grandes Prêmios de Cuba. Em 1962 dois 356 Speedster pilotados por Papi Martínez e Eduardo Delgado, ficaram em primeiro e segundo lugares. Vários foram os pilotos famosos que participaram de provas em Cuba, como Huschke von Hanstein, diretor esportivo da Porsche, que participou no GP Libertad de 1960, com um 718 RSK. Carroll Shelby também esteve pela Ilha, ao volante de um 550. 

Em 1958 a ilha vivia um momento turbulento. Tudo estava mudando muito rapidamente do regime de Batista para o de Castro. Como resultado, muitos correram para retirar seus Porsche da ilha que corriam o risco de serem expropriados. Os poucos 356 que ficaram em Cuba acabaram nas mãos do Estado e foram usados como táxis nos anos seguintes. Alguns foram escondidos em garagens, armazéns, celeiros... Atualmente é muito difícil encontrar esses Porsche, mas eles existem. Estima-se que uns dez exemplares. 


Em 2001 Ernesto Rodríguez Gusmán, também conhecido como Ernesttico, apaixonado por Porsche, começou a cadastrar os modelos 356 que restaram na Ilha e convenceu os proprietários a se unirem. Em 2003, fundaram o Porsche Club de Cuba com apoio e reconhecimento da matriz alemã e da Porsche Itália. 

O Clube reúne alguns exemplares: Um 356, carroceria Reutter, cinza, interior com bancos Recaro, em bom estado de conservação. Outros dois 356, um deles, na cor bege, de 1957 e está impecável para os padrões automotivos da ilha, tendo sido restaurado. O outro, de 1953, azul, com o característico para-brisas vincado ao centro, em avançado estado de decomposição, pois foi encontrado abandonado há décadas debaixo de uma árvore, mas agora está circulando de novo. O seu motor não é o original, sendo proveniente de um Fusca, e um Porsche 356C, na cor vinho, parado há anos num quintal, não tem o motor boxer de quatro cilindros, sumiu a tampa traseira e as portas estão desmontadas. As lanternas traseiras foram substituídas por outras vindas de um Lada.









Fonte: Site oficial da Porsche

http://autoetecnica.band.uol.com.br/os-raros-porsche-escondidos-em-cuba/


18.4.21

O PRIMEIRO AUTOMÓVEL DE QUATRO RODAS


Em 1886 Gottlieb Wilhelm Daimler e Wilhelm Maybach compraram e adaptaram uma carruagem para receber um motor potente, criando assim o primeiro carro de quatro rodas do mundo. 
O carro motorizado fabricado em Sturttgart, tinha quatro lugares e motor a explosão localizado entre os bancos dianteiros e traseiros. Além de mais elaborado a mecânica também era mais sofisticada do que o veiculo de três rodas inventado por Karl Benz. A potência máxima era de 1,1cv a 600rpm , alcançando 18km/h.



Em 1889, Daimler desenvolveu um motor de quatro tempos, dois cilindros em V inclinado, com válvulas em forma de cogumelo, que serviu como base para todos os motores para carros desenvolvidos à partir daquele momento. 
Neste ano, Daimler e Maybach construíram seu primeiro automóvel a partir do zero e  fundaram uma empresa chamada DMG (Daimler Motoren Gesellshaft) para produção de motores para diversas aplicações (carros, barcos etc.). Em 1891 Gottlieb Daimler conseguiu finalmente vender seu primeiro automóvel. 

17.3.21

O NOTURNO CENTRO DE SÃO PAULO





"No centro a beleza a noite fica mais evidente." Foto 1 - Rua Libero Badaró, 2 - Rua 3 de Dezembro, 3 - Secretária de segurança pública, 5 - Mosteiro de São Bento. (Fotos de Andrea Matarazzo no Facebook)

20.2.21

RESTAURO DO MUSEU NACIONAL DO RIO DE JANEIRO












A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura UNESCO anunciou neste sábado (20) que a elaboração do projeto de arquitetura e restauro do Museu Nacional do Rio de Janeiro ficará a cargo do consórcio H+F Arquitetos e Atelier de Arquitetura e Desenho Urbano, vencedor de licitação realizada pelo Projeto Museu Nacional Vive. O projeto engloba estudos arquitetônicos, de legislação, fluxos de circulação, sustentabilidade, acessibilidade, segurança e conforto ambiental para reconstrução do museu, atingido por incêndio de grandes proporções no dia 2 de setembro de 2018.


 



#restauro #arquitetura  #sustentabilidade #acessibilidade #museu

3.2.21

A CASA BOLA DE EDUARDO LONGO


Quarenta anos após sua construção, a Casa Bola da Rua Amauri continua a causar espanto e admiração. Essa experiência arquitetônica, idealizada na década de 1970 pelo arquiteto Eduardo Longo, foi concebida para ser industrializada e ser vendida em escala.

Eduardo Longo pensava em construir habitações modulares que valorizassem a individualidade dos moradores e o dinamismo da cidade. A Casa Bola, que através do seu formato circular “preservaria o isolamento dos vizinhos (já que os imóveis não seriam geminados) e haveria a possibilidade de construir prédios altos e compridos. Além disso, a bola tem um volume perfeito, nenhum objeto é mais leve do que ela”.

“Meu sonho era fazer prédios em que cada apartamento seria uma esfera, feita na fábrica e plugada na estrutura. Teríamos grandes edifícios, altos e longos, e o grande diferencial seria o espaço vazio entre as unidades. Cada apartamento seria absolutamente independente da outra unidade, a ponto de você poder tirar um e colocar outro."  Segundo o arquiteto.

#arquitetura #arquiteturabrasileira #contemporaneo #prefabricados #industrializacao





Eduardo Longo, 78 anos, formou-se arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie (São Paulo) (1961-1966), e pertence à geração de arquitetos que se lançaram na busca de novos caminhos como forma de superar o impasse gerado pelo esvaziamento do movimento moderno.

Ainda estudante, Longo definiu uma linha de trabalho que permeou toda sua carreira: maior liberdade de expressão plástica, atitude inusitada diante de programas simples e soluções desvinculadas de qualquer grupo ou corrente. Uma tomada de posição diante de um contexto conturbado em várias frentes: revolução cubana, geração hippie, maio de 68 francês, conquista da Lua e no Brasil golpe militar de 64, entre outros eventos contundentes.

Segundo Longo “O processo de criação antecede ao processo teórico; a criação é intuitiva e não teórica.” O processo de projeto de Longo é vinculado fortemente ao desenho. Desde sua concepção em que estabelece um diálogo exaustivo com o croqui, até a forma peculiar de apresentação dos projetos executivos, onde mescla o rigor de plantas e cortes a uma forma bem humorada de povoar os ambientes com figuras humanas.

Conforme análise de Carlos Lemos “A obra de Eduardo Longo é totalmente desvinculada da produção arquitetônica brasileira, e até mesmo de grupos que pudessem caracterizar uma arquitetura paulista. Liberto de qualquer imposição teórica – talvez, antes de tudo, um intuitivo - soube, com maestria criar espaços (..).

Fonte: http://revista5.arquitetonica.com/index.php/magazine-1/arquitetura/eduardo-longo-arquitetura-e-contracultura


4.1.21

O PRIMEIRO AUTOMÓVEL DO MUNDO


A máquina que alterou a forma de produção industrial e mudou o modo como nos relacionamos com os veículos de transporte, começou a ser idealizada no século 15, quando Leonardo da Vinci projetou um triciclo movido a corda, como um relógio. Porém, aquilo ainda estava muito longe do que viria a ser o projeto do primeiro automóvel que a humanidade conheceria. 
Para chegar ao que conhecemos hoje foram necessários muitos anos de estudo, tentativas e, lógico, paciência. 


Em 1886 o engenheiro alemão Karl Friedrich Michael Benz registrou a patente DRP 37435 do Benz Patent-Motorwagen, primeiro automóvel movido a gasolina do mundo.
Com três pneus do tamanho das rodas de uma bicicleta, chassi feito de madeira, apenas um banco e um volante que era, na verdade, uma manivela, o veículo inventado por Benz pesava 265 Kg, tinha 2,7m de comprimento, motor de quatro tempos, apenas um cavalo de potência e velocidade máxima de 16 km/h.


O Benz Patent-Motorwagen Tryp III era vendido por 600 Marcos Imperiais alemães, ou cerca de R$ 16.000 nos valores atuais. Não eram muitos que tinham condições de comprá-lo. Somente 25 unidades foram produzidas.


 Em 5 de agosto de 1888, a esposa de Karl, Bertha Benz foi a primeira pessoa na história a fazer uma viagem de longa distância a bordo de um automóvel, no caso o Benz Patent-Motorwagen Tryp III. Acompanhada pelos filhos Richard e Eugen (13 e 15 anos, respectivamente), Bertha viajou de Mannheim para Pforzheim (106 km). Ela disse ao marido que "queria visitar a mãe", mas na realidade seu objetivo era mostrar a ele que o carro se tornaria um sucesso financeiro, uma vez que se via como poderia ser útil para o público em geral. 

RAIO-X DO BENZ PATENT-MOTORWAGEN TRYP III

A carruagem motorizada era refrigerada a água e tinha somente uma marcha. Um sistema de cintas de couro levava até as rodas a informação de que a única marcha tinha sido engatada e, a partir daí, dois discos de metal faziam as rodas começarem a rodar. Antes de sair andando, era preciso rodar a ignição na parte traseira do veículo.


A estrutura do veículo era construída com tubos de aço e painéis de madeira. As rodas eram compostas de aros de aço e pneus de borracha
Com um cavalo de potência e capacidade de 0,954 litro, o motor fazia as rodas girarem até 400 vezes por minuto. Assim, o invento alcançava a velocidade máxima de 16 km/h em 45 segundos. 
A tração era nas rodas traseiras.
Uma alavanca que funcionava como o leme de um barco guiava o veículo. Em vez de usar as duas mãos num volante, você precisaria de apenas uma para colocar a alavanca para o lado direito ou esquerdo e direcionar a viagem. Dependendo da velocidade e da superfície do terreno, era difícil controlar o carro.


Os freios eram acionados na mesma alavanca da direção. Ao ativá-los, tiras de couro brecavam a roda da frente. Em 1887, a nova versão do veículo transferiu os freios para as rodas traseiras, aumentando a segurança.
O veículo tinha um tanque de gasolina com capacidade de 1,5 litro. Sua autonomia era de somente 15,9 km, o que dá o consumo de 10,6 km por litro.


Fonte: Revista Super Interessante - Editora Abril

1.1.21

ANO PASSADO MORRI ESSE NÃO MORRO




Belchior adaptado para #2021

Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte

Porque me sinto são e salvo e forte.

E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado,

E assim já não posso sofrer no ano passado (2020),

Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro,Ano passado eu morri, mas esse ano (2021) eu não morro.