11.5.08

ARTACHO JURADO: ARQUITETURA PROIBIDA

Em Artacho Jurado: arquitetura proibida, o arquiteto Ruy Eduardo Debs Franco analisa trajetória e o legado de João Artacho Jurado, empresário do setor imobiliário que atuou no mercado paulistano e santista, sobretudo na década de 1950, tornou-se polêmico em decorrência das particularidades de seus projetos. Sem ser graduado quer em engenharia civil quer em arquitetura, Artacho planejou e ergueu edifícios que contrariavam os preceitos defendidos pelos profissionais da época. Tachado de excessivo no uso de elementos decorativos com o intuito de causar impacto e conseguir vendas imediatas, Jurado não descuidou, porém, de itens como espaço, luxo e conforto ao considerar o processo de verticalização da cidade. Atento ao déficit de moradias, ocasionado pela expansão do município e à oferta de terrenos baratos em bairros de tradição nobre, Artacho projetou condomínios residenciais que correspondiam aos desejos de ascensão social da classe média emergente, o que garantiu o sucesso de seus empreendimentos.

João Artacho Jurado (1907-1983) nasceu e morreu em São Paulo. Filho de imigrantes espanhóis completou apenas o primário. Seu pai, anarquista, tirou os filhos da escola em protesto contra a obrigatoriedade de jurar a bandeira. Mais tarde, fez curso de desenho e arquitetura. Com o irmão Aurélio, fundou duas construtoras: a primeira, Anhanguera, e, a segunda, Monções. O reconhecimento de suas obras foi tardio: foi impedido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil de assinar suas criações.
Dentre suas obras destacam-se o EDIFÍCIO VIADUTOS , localizado no Viaduto Maria Paula, em frente à Câmara Municipal, no Centro de São Paulo, que mistura estilos - do moderno, o nouveau, o déco, o clássico, além dos elementos étnicos; E o EDIFÍCIO BRETAGNE, no bairro de Higienópolis, que foi apontado pela revista inglesa Wallpaper como um dos melhores edifícios para viver no mundo.