28.4.26

PARATY - A INUNDAÇÃO PLANEJADA DE SUAS RUAS


O Centro Histórico de Paraty (RJ)* foi planejado para alagar, de forma periódica e natural, fenômeno comum na maré alta nas fases de Lua Cheia e Lua Nova.

O alagamento é o resultado de uma engenharia colonial que posicionou as ruas abaixo do nível do mar ou muito próximas a ele, para que a maré alta (maré de sizígia, em luas cheia ou nova) lavasse as vias de pedra, agindo como uma limpeza urbana natural. Essa tese é fundamentada na história do urbanismo colonial, com diversos estudos acadêmicos e técnicos confirmando esse fenômeno¹.  

Principais Evidências do Planejamento Colonial:

Nível das Ruas: As ruas de pedra foram construídas deliberadamente em cota baixa para permitir a entrada da água do mar.

Elevação das Casas: As casas coloniais foram construídas cerca de 30 cm a 50 cm acima do nível das ruas para evitar que a água invadisse o interior das residências.

Funcionalidade: A maré cheia remove detritos e sujeira, funcionando como um sistema de limpeza urbana.





*Fundada oficialmente em 1667, Paraty (RJ) foi um estratégico porto colonial no século XVII, fundamental para o escoamento do ouro de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. Com a abertura de um novo caminho para o ouro e, posteriormente, a construção de ferrovias para o café, Paraty entrou em declínio no final do século XIX, ficando isolada por décadas, o que ajudou a manter um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais preservados do País.

Foi declarada Patrimônio Nacional (1958) e, em 2019, recebeu o título de Patrimônio Mundial pela UNESCO integrando a lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como sítio misto - cultural e natural -, sendo o único sítio do Brasil e da América Latina reconhecido tanto por sua cultura quanto por sua natureza excepcional. 


¹ Battemarco, Bruna Peres. "Índice de Resiliência a Inundações aplicado para a avaliação de cenários de urbanização na cidade de Paraty, RJ". Projeto de Graduação (UFRJ/POLI), 2016.

Este trabalho analisa o risco de inundações urbanas, abordando tanto as marés altas que invadem o Centro Histórico (fenômeno planejado) quanto os transbordamentos dos rios Perequê-Açu e Mateus Nunes.


14.4.26

NATAL 1973 - RUA AUGUSTA ACARPETADA

O Natal de 1973 foi um tanto diferente na Rua Augusta, naquela época um era um dos maiores centros de comércio da capital. Os lojistas inovaram com uma ideia inusitada: acarpetar toda a extensão do acarpetar toda a extensão do Alto-Augusta, ou seja, da Avenida Paulista até o fim da rua, na esquina com a Rua Estados Unidos, onde se concentravam grandes lojas que atraíam compradores de toda a cidade.

A ideia veio da Companhia City, uma empresa de urbanismo presente em São Paulo desde 1912, de origem inglesa, que trouxe para nossa cidade as técnicas de urbanismo da Inglaterra, e foi responsável pela urbanização de bairros como o Jardim América e o Pacaembu. 

O trabalho foi feito em apenas uma noite. O dia terminou com uma rua comum de asfalto que, no dia seguinte, amanheceu coberta com um carpete quadriculado por quase um quilômetro. O slogan para a ousada empreitada era: “Nosso visitante é tão ilustre, que acarpetamos a rua”

 

ALFA ROMEO GIULIETTA SPIDER VELOCE

 

11.4.26

VW - FUSCA ANFÍBIO NO IBIRAPUERA EM 1960

O 1º Salão do Automóvel, aberto em 26 de novembro de 1960, foi realizado no Parque do Ibirapuera. O evento marcou a consolidação da indústria automobilística nacional e atraiu nos 16 dias do evento mais de 400.000 visitantes.

Esta primeira edição reuniu as 12 marcas que atuavam no mercado nacional de automóveis, utilitários e caminhões: DKW-Vemag, FNM, Ford, General Motors, International Harvester, Mercedes-Benz, Romi-Isetta, Scania-Vabis, Simca, Volkswagen, Toyota e Willys Overland. 

Uma curiosidade neste 1º Salão chamou a atenção do público - A apresentação do VW Sedan Anfíbio, um modelo especial que foi preparado pelo Departamento de Testes da Volkswagen do Brasil. Inicialmente, o objetivo dos engenheiros da marca era estudar a vedação do VW Sedan. O motor foi blindado numa caixa metálica e as vedações das portas foram aperfeiçoadas. Por segurança, adaptou-se no porta-malas uma bomba para escoar água que porventura entrasse no compartimento do motor ou na cabine. A característica plataforma do Fusca, toda fechada por baixo, não sofreu qualquer alteração. Também não foram usados flutuadores.



O veículo de testes foi levado para o estande da marca. “O carro não tem objetivos comerciais e não se fabricaria em série”, ressaltava a Fábrica. O teste foi na Represa de Guarapiranga e depois, durante o evento, o VW Sedan - Fusca anfíbio "navegou" nas águas do lago do Parque do Ibirapuera.









6.4.26

HOSPITAL MATARAZZO - 2014 O ÚLTIMO OLHAR


O Hospital Matarazzo, originalmente conhecido como Umberto I, foi inaugurado em 1904. 

Antes da grande reforma que o transformou na "Cidade Matarazzo", o complexo passou por um longo período de abandono, tornando-se uma espécie de "cidade fantasma" na região da Avenida Paulista, na Bela Vista, São Paulo.

Como despedida da missão como hospital e antes do restauro e requalificação do Conjunto Arquitetônico, aconteceu em 2014 uma exposição coletiva de arte chamada de "Feito por Brasileiros".

Um fato não menos importante: Nasci em 1960 na Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, inaugurada em 1943, que fazia parte do complexo hospitalar Umberto Primo.

Fotos: Adhemar Dizioli Fernandes












3.4.26

ANÍSIO CAMPOS - O HOMEM CARRO


José Anísio Barbosa de Campos - Anísio Campos foi um dos grandes nomes do design automotivo brasileiro, assinou projetos que fizeram história na indústria automotiva nacional.
Campos também era piloto e viveu o auge do automobilismo nacional nas décadas de 50 e 60, quando as montadoras recém-instaladas no país investiam pesado no esporte a motor. Fez parte de um seleto grupo de pilotos, que incluiu nomes de peso como Bird Clemente, Luis Pereira Bueno, José Carlos Pace e os irmãos Wilson e Emerson Fittipaldi. 
Designer de sucesso Paralelamente à carreira de piloto, Anísio começou a projetar carros em 1962 - e assim entrou para a história da indústria automotiva nacional. Fez mais de 15 projetos desde então, incluindo modelos icônicos como o esportivo Carcará e o pequeno Dacon 828. Nenhum deles, porém, ficou mais famoso do que o Puma GT, revelado no Salão do Automóvel de 1966. Evolução do GT Malzoni (versão de rua de um projeto bem sucedido nas pistas de corrida brasileiras naquele tempo), o Puma GT tinha belas linhas nitidamente inspiradas na Ferrari 275 GT. Posteriormente rebatizado como Puma DKW, o veículo teve pouco mais de 200 unidades produzidas antes de sair de linha precocemente em 1967, após a compra da Vemag (fabricante do esportivo) pela Volkswagen.


Nas décadas seguintes, Campos assinou projetos para empresas especializadas em veículos fora-de-série, famosos em um tempo no qual as importações de automóveis ainda eram proibidas. Assim nasceram carros como o Engerauto Topazzio (1987/1988) e os Dacon 828 (1982) e Nick (1988/1989). Longe dos carros, Anísio também assinou projetos gráficos, logomarcas e fez até fachadas de estabelecimentos comerciais. Além de designer, ele também foi pintor, fotógrafo e artista plástico. Em 2015, sua história foi contada no documentário "Homem-Carro", dirigido e produzido por Raquel Valadares, cineasta e filha caçula de Anísio.
Texto:UOL
hanisiocampos.com.br/bio.html
Imagem/poster: Mauricio Moraes
mauriciomorais.blogspot.com