14.6.26

PORSCHE 911 RS 2.7: DUPLA VERDE E AMARELO NA PAULICEIA



No início dos anos 1970, a Porsche precisava de um carro altamente competitivo para as pistas do Grupo 4 da FIA. Para cumprir as regras de homologação da época, os engenheiros de Stuttgart decidiram criar um carro de corrida que pudesse ser dirigido nas ruas, resultando no icônico Carrera RS (Renn Sport, ou "corrida" em alemão). Para validar o modelo, a fábrica precisava produzir e vender pelo menos 500 unidades em um período de 12 meses, um volume que gerava ceticismo na diretoria da marca por se tratar de um carro extremamente purista. No entanto, após o lançamento no Salão de Paris em outubro de 1972, a Porsche ficou impressionada ao ver que toda a produção se esgotou quase que imediatamente. O sucesso foi tão avassalador que a fabricação quase triplicou o número inicialmente planejado, encerrando o ano de 1973 com um total de 1.580 unidades entregues.






O Porsche 911 Carrera RS 2.7 foi projetado norteado pela obsessão com a leveza e a eficiência aerodinâmica. Na carroceria, tudo girava em torno da redução de peso para fazer a versão de pista baixar dos 900 kg: os engenheiros utilizaram chapas de metal mais finas, janelas delgadas, peças de plástico e removeram quase todo o isolamento acústico onde o aço e o acabamento eram pesados demais. O modelo estreou o icônico aerofólio traseiro "rabo de pato" (ducktail), sendo o primeiro carro de produção em série a adotar um spoiler traseiro para minimizar a elevação dos eixos em altas velocidades e garantir reações mais neutras.  






Sob o capô, o novo motor boxer de 6 cilindros e 2.7 litros com injeção de combustível, desenvolvido pelos lendários Hans Mezger e Valentin Schäffer, gerava 210 cv a 6.300 rpm e 255 Nm de torque a 5.100 rpm. 

Para atender tanto aos pilotos puristas quanto aos clientes que buscavam um modelo utilizável no cotidiano, a Porsche dividiu a linha em três versões principais. A Sport (M471), também conhecida como "Light weight", era a versão leve e desprovida de luxos, pesando apenas 960 kg. Ela era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 5.8 segundos e atingir 245 km/h de velocidade máxima, tornando-se o primeiro carro de rua a quebrar a barreira dos 6 segundos nos testes da renomada revista alemã “Auto Motor Sport”

A versão Touring (M472) era voltada para o uso urbano e mantinha grande parte do conforto, acabamento e isolamento acústico dos 911 convencionais, pesando 1.075 kg e registrando a marca de 6.3 segundos de 0 a 100 km/h com velocidade máxima de 240 km/h. Por fim, a raríssima versão Racing (M473) consistia em unidades de competição puras, construídas especificamente sob medida para as equipes de fábrica e clientes de corrida.




Mais do que estabelecer recordes, o carro abriu caminho para a lendária nomenclatura "Carrera" - uma homenagem à famosa e perigosa corrida mexicana “Carrera Panamericana” - e estabeleceu o DNA definitivo da divisão de alto desempenho da marca, servindo como o antepassado espiritual de modelos modernos focados em pista, como o 911 GT3 RS. Mais de cinquenta anos depois do seu lançamento, a história desse mito ganha um capítulo de pura emoção em solo brasileiro. Uma dupla impecável de Carrera RS 2.7, um pintado no vibrante Viper Green e o outro no clássico Light Yellow, divide o espaço em uma belíssima referência às cores da nossa bandeira e ao clima de paixão nacional que une o automobilismo e o futebol.

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