Essa realidade, embora pareça um fenômeno recente, já é acompanhada de perto há bastante tempo. Em 2012, publicamos uma postagem sobre o "Carros Órfãos", um Blog dedicado a registrar em imagens os automóveis esquecidos pelas ruas do país. Os criadores do projeto definiram a iniciativa como um verdadeiro e inédito estudo social automotivo, revelando dados fascinantes sobre o perfil desse abandono. Segundo o levantamento da época, a grande maioria dos veículos - cerca de 68% - estava largada diretamente nas ruas, enquanto 30% repousavam em estacionamentos ou garagens e 3% haviam sido deixados em meio ao mato.
O curioso mapeamento feito pelo Blog também trouxe à tona os modelos mais marcantes dessa "orfandade" corporativa e civil. A clássica Kombi liderava o ranking como o carro mais abandonado do país. No quesito valor financeiro, o destaque ficava por conta de um Land Rover Discovery, estimado na ocasião em até R$ 40 mil, esquecido na Zona Sul de São Paulo. Já entre as raridades, chamavam a atenção modelos como o Ford Custom 51, o Oldsmobile Cutlass Cierra Sedan e um imponente Mercedes-Benz 380 SEC. Somados, todos os carros catalogados pelo projeto na época valeriam cerca de R$ 300 mil, uma pequena fortuna deixada para trás pelo tempo e pela ferrugem.
Para além da curiosidade histórica e estatística, o abandono de veículos na capital paulista é uma infração séria e devidamente regulamentada. A prática é respaldada pela Lei Municipal nº 13.478/2002, que rege a limpeza urbana, e pelo próprio Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Conforme a legislação vigente, um carro é oficialmente considerado abandonado quando permanece estacionado no mesmo local por mais de cinco dias consecutivos. Uma vez constatado o abandono, o veículo fica sujeito à remoção imediata por parte da Prefeitura e, caso não seja reivindicado pelo proprietário dentro dos prazos legais, o destino final acaba sendo os leilões públicos.

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