Existem hábitos, costumes e jeitos que identificam de longe um paulistano raiz.
É chamar semáforo de "farol", biscoito de "bolacha", homem de "cara", mulher de "mina", balão de "bexiga" e o povo do interior do estado de "caipira". É usar o "meu" como vírgula, soltar expressões como "baba ovo", "mano", "dar um rolê", o famoso "tá de brincadeira!" e, claro, aquele clássico e sonoro: "Orra, meu!"
Ser paulistano é comer virado à paulista às segundas-feiras, feijoada às quartas e sábados e, nas noites de domingo, pedir uma pizza (hoje em dia pelo aplicativo, mas com o mesmo sabor de sempre). É pedir "dois pastel e um chopes" nos botecos da cidade, devorar o clássico dogão de duas salsichas com purê de batata e nunca dispensar o sagrado pastel de feira com caldo de cana.
O paulistano raiz nunca sai de casa sem um guarda-chuva na mochila, mesmo que o céu esteja azul e faça 30°C logo cedo. Afinal, ser paulistano é enfrentar sol, chuva, frio e calor, tudo no mesmo dia. É sair de casa todo agasalhado de manhã, passar calor à tarde, pegar uma tempestade isolada no fim do dia e achar tudo isso absolutamente normal.
É andar sempre pelo lado esquerdo da escada rolante do Metrô e ficar profundamente irritado com quem fica parado ali bloqueando a passagem.
É ser apaixonado por carro. É passar o sábado lavando e polindo o automóvel só para pegar trânsito no domingo e "dar uma voltinha" no shopping. Aliás, nos feriados prolongados, chova ou faça sol, o paulistano foge da loucura da Pauliceia: enfrenta cinco horas de congestionamento na Imigrantes só para "ir pra praia". Por outro lado, quem fica adora o fato de a cidade ficar finalmente habitável durante essas diásporas.
Ser paulistano é adorar uma fila! Seja de ônibus, do mercado, do banheiro ou do elevador. Para o paulistano, se a pizzaria ou a cantina tem fila de espera na porta, é sinal de que o serviço é da melhor qualidade. É bater ponto na padaria ("padoca") mais próxima, especialmente nas manhãs de domingo, para tomar aquele café com pão na chapa com muita manteiga.
É ser encantado com a "beleza cinza" e a imponência da Avenida Paulista. É morrer de orgulho do Teatro Municipal, do Parque do Ibirapuera, do Museu do Ipiranga, do Aeroporto de Congonhas, da Estação da Luz, da Catedral da Sé, da Sala São Paulo, do Mercadão, do MASP, dos SESC, da esquina da Ipiranga com a São João e do caos maravilhoso da 25 de março.
Ser paulistano é achar o máximo viver num lugar com tantas opções de eventos, shows internacionais, salas de cinema, livrarias e museus - mesmo não frequentando nem 20% deles. É conviver diariamente com uma infinidade de sotaques e culturas, seja cruzando com imigrantes do mundo todo ou transitando entre as zonas Norte, Sul, Leste e Oeste. É ter a liberdade de assistir a um filme iraniano e, logo depois, jantar em um restaurante tailandês.
Ser paulistano é, acima de tudo, estufar o peito para falar que a cidade não para e que o paulistano "trabalha pra caramba!"
Imagens geradas por inteligência artificial - Google Gemini AI Pro
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