28.5.26

MERCEDES-BENZ 300 SL W194: O TRIUNFO NAS PISTAS





A Mercedes-Benz desenvolveu o icônico 300 SL (W194) em 1952 com um objetivo claro: restabelecer a marca no topo das principais competições automobilísticas do pós-guerra. Embora contasse com uma potência inferior à de concorrentes diretos como Ferrari e Jaguar, o W194 compensava essa desvantagem com um conjunto equilibrado, focado em confiabilidade, aerodinâmica apurada e baixo peso.

A temporada de 1952 foi uma sequência de triunfos históricos que consolidou o nome da Mercedes-Benz:

Mille Miglia (Itália): Em sua estreia, em maio, o modelo já demonstrava potencial ao conquistar um impressionante 2º lugar.

Grande Prêmio de Berna (Suíça): Domínio absoluto, com o pódio completo (1º, 2º e 3º lugares).

24 Horas de Le Mans (França): Vitória espetacular com uma dobradinha histórica. Hermann Lang e Fritz Riess venceram com média de 155,575 km/h, seguidos por Theo Helfrich e Helmut Niedermayr.


Foto: 2463/24Leica - Stüdio Wörner - Corrida das 24 Horas de Le Mans, 1952. Os pilotos saltaram para os veículos e arrancam. Em primeiro plano, o nº 21, o carro vitorioso da Mercedes dos pilotos carro número 21, pilotado pela dupla Hermann Lang e Fritz Riess,

Este texto descreve o início da famosa largada ao estilo "Le Mans" onde os pilotos corriam em direção aos carros estacionados em linha para ligá-los e partir.






Foto 2461/8: Leica - Stüdio Wörner - Corrida das 24 Horas de Le Mans, 1952. O futuro vencedor desta corrida grandiosa, Hermann Lang, em um Mercedes-Benz, chegou aos boxes para realizar a troca de pneus e o abastecimento. Também aqui, o comissário esportivo francês "amigo dos alemães" está novamente por perto. O olhar atento do gerente de corrida da Mercedes, [Alfred] Neubauer, porém, garantiu que não se pudesse causar nenhum prejuízo aqui.

O texto faz uma observação irônica ao chamar o comissário de "deutschfreundliche" (amigo dos alemães), o que na época, pós-segunda guerra mundial, carregava um tom de sarcasmo ou tensão política nas competições internacionais.

Alfred Neubauer: O famoso diretor de equipe da Mercedes-Benz, conhecido por sua organização rigorosa e seu "olhar atento" (como mencionado no texto), que revolucionou a gestão de corridas e a estratégia de boxes na época. O texto sugere que Neubauer mantinha uma vigilância constante sobre os oficiais da prova para garantir que a equipe não sofresse arbitrariedades ou interferências desleais durante o pit stop.


Foto 2457/2: Leica-Stüdio Wörner - Corrida das 24 Horas de Le Mans, 1952 - A Mercedes-Benz pôde registar um sucesso grandioso em França com os seus novos carros de corrida. Aqui veem-se os dois carros Mercedes vitoriosos dos pilotos Hermann Lang e Fritz Riess. numa curva. Os pilotos Lang e Riess conseguiram percorrer 3733 km em 24 horas a bordo do Mercedes.

O texto refere-se à marca histórica alcançada pela Mercedes-Benz na edição de 1952 de Le Mans, onde a equipa não só venceu, como demonstrou uma fiabilidade notável ao cobrir 3733 quilómetros. Esta marca foi fundamental para consolidar a reputação do 300 SL (W194) logo no seu ano de estreia.

Nürburgring (Alemanha):  O modelo varreu a competição, garantindo as quatro primeiras posições.

Carrera Panamericana (México): Karl Kling e Hans Klenk venceram uma das corridas mais extenuantes do mundo. O feito tornou-se lendário pelo incidente em que um abutre atravessou o para-brisa, ferindo o copiloto Klenk, que, mesmo ferido, ajudou a conduzir o carro à vitória.







Foto 2580-17: Leica-Stüdio Wörner - Carrera Panamericana México 1952 - Aqui estão dois carros de corrida Mercedes prontos para a largada diante da garagem na Cidade do México.

Esta fotografia captura um momento de preparação durante a lendária Carrera Panamericana de 1952, onde os Mercedes-Benz 300 SL (W194) demonstraram a sua robustez ao enfrentar as estradas mexicanas, culminando naquela famosa vitória que mencionou anteriormente no seu texto


A Mercedes-Benz produziu apenas 10 exemplares para a temporada de 1952 (chassis 194 010 00001/52 a 00010/52), além de um 11º chassi desenvolvido como protótipo para a temporada de 1953.

E quantos restaram? Onde estão? 


24.5.26

O ICÔNICO MERCEDES-BENZ 300 SL W194






Foto: R84-11 Leica - Estúdio Wörne - Pela primeira vez em público nosso repórter fotografou o novo carro de corrida Mercedes, tipo 300 SL (S=super, L=leve), de uma perspectiva aérea. O carro tem um comprimento de 4220 mm, largura de 1790 mm e a altura surpreendentemente baixa de apenas 1265 mm. Como motor, é utilizado um 3 litros que gera 170 cv a 5200 rpm. O carro, com seu peso leve, possui um tanque de combustível com capacidade para 170 litros. Este carro de corrida não possui portas. O motorista deve entrar no interior do carro escalando pelo teto.

Em 1951, a fabricante alemã Mercedes-Benz decidiu retornar às pistas com um objetivo claro: participar das principais competições automobilísticas e restabelecer o domínio da "estrela de três pontas" no pós-guerra. O primeiro carro de corrida desenvolvido e construído pela marca nesse período foi o icônico 300 SL (Super-Leicht / Super Leve), sob o código de chassi W194.

Na criação do 300 SL, a redução do peso e a eficiência aerodinâmica foram prioridades absolutas. Onde foi possível, os engenheiros economizaram massa: componentes mecânicos foram fabricados com ligas metálicas mais leves e várias peças estruturais foram perfuradas.

O engenheiro chefe, Rudolf Uhlenhaut, projetou um chassi tubular inovador e extremamente leve, pesando apenas 60 kg. Feito com tubos de aço de alta liga muito finos, dispostos em triângulos para absorver forças de tensão e compressão, o chassi apresentava um desafio: a estrutura complexa percorria a parte superior das laterais do carro para garantir a rigidez torcionar, elevando drasticamente a soleira das portas. Por esse motivo, portas convencionais não podiam ser instaladas, o que forçou a criação das icônicas portas "asa de gaivota", que se articulavam no teto.

A motorização escolhida foi o bloco de seis cilindros em linha de 3.0 litros, herdado do luxuoso sedã Mercedes-Benz 300 "Adenauer". Para se adequar ao espírito de competição, o motor recebeu modificações profundas: a potência foi aumentada, adotou-se a lubrificação por cárter seco e, para caber sob o capô extremamente baixo e aerodinâmico, o motor foi instalado inclinado em um ângulo de 50 graus.

A carroceria, por sua vez, foi moldada à mão com chapas de alumínio e magnésio. Diferente da maioria dos carros de corrida da época, o interior do W194 era surpreendentemente refinado e confortável. Os bancos estilo concha eram revestidos em tecido de lã com o clássico padrão xadrez (tartan), e o volante de quatro raios era escamoteável para facilitar o acesso do piloto. O velocímetro e o conta-giros eram posicionados no centro do campo de visão do piloto. Logo abaixo, ficavam os instrumentos auxiliares (temperatura da água, pressão do combustível, temperatura e pressão do óleo), além do cronômetro. 





Foto: 2352-30 Leica - Estúdio Wörner - Mercedes Tipo 300 SL em testes de condução. O Eng. Uhlenhaut realizou pessoalmente os testes de condução na Autobahn. O carro, que possui uma capacidade de aceleração verdadeiramente enorme, deve atingir uma velocidade máxima de mais de 240 km/h após paradas privadas (testes em estrada aberta

O "avô" de todos os SL foi testado em novembro de 1951 no circuito de Solitude (próximo a Stuttgart, sede da fábrica), bem como em Nürburgring e Hockenheimring e apresentado oficialmente à imprensa em 12 de março de 1952, em um trecho da autoestrada (Autobahn) entre Stuttgart e Heilbronn.

Na Apresentação a Imprensa: A 300 SL W194 ao lado do luxuoso sedã Mercedes-Benz 300  Adenauer que "emprestou" a motorização de seis cilindros em linha de 3.0 litros para a SL.







A Mercedes-Benz produziu 10 unidades da 300 SL W194 para a temporada de competições de 1952 (chassis de 194 010 00001/52 a 00010/52), além de um 11º carro, com algumas alterações, para a temporada de 1953.

Ficha Técnica: Mercedes-Benz 300 SL (W194) - 1952

Dimensões: 4.220 mm (comprimento) | 1.790 mm (largura) | 1.265 mm (altura)

Motor: 6 cilindros em linha, comando de válvulas no cabeçote (SOHC), inclinado a 50°

Alimentação: 3 carburadores duplos Solex

Lubrificação:  Cárter seco

Cilindrada: 2.995 cm³

Potência: 170 hp (125 kW) a 5.200 rpm

Peso em ordem de marcha: Aprox. 1.060 kg

Velocidade máxima:  230 km/h


Foto2350/25: Leica - Estúdio Wörner - O último Mercedes SL deixa o departamento de corridas da Daimler-Benz para dar lugar à construção do novo carro de corrida de Fórmula. 


21.5.26

BIROSCA, BOTECO E PÉ SUJO RAIZ, É...


Birosca, boteco e pé sujo são variações brasileiras de bares populares. Eles se diferenciam pelo nível de informalidade, estrutura e público, mas todos compartilham o ambiente boêmio, a cerveja gelada, os petiscos tradicionais e o bom preço.

São Paulo inventou o "boteco paulistano cenográfico chique", que as patricinhas, madames e playboys gostam de frequentar e onde os faria limers fazem happy hour e networking. Um grupo de investidores arruma um lugar em um bairro nobre de Sampa, contrata o arquiteto da moda e “faz” uma decoração bacaninha, com mesinhas antigas, azulejos brancos na parede e garrafas de cachaça fake acima do balcão, batizando o local com nomes como "Rabo de Galo", "Botequim" ou "Birosca".

Agora, para ser boteco de verdade - ser chamado de boteco, birosca e pé sujo - tem que ter personalidade, tradição e algumas características que dão o selo de autenticidade ao estabelecimento: 

O nome do boteco tem que refletir o verdadeiro espírito da "casa": Nome de santo (Santo Antônio do Categeró); nome do dono (Bar do Zé, Bar do Alemão, Bar da Cida, Bar do Chico, Bar do Pelé); ou com apóstrofo e "s" no final (Sensation's, Bambu's e Chico's).

Quadrinhos na parede: "Não aceito fiado", "Fiado só para maiores de 90 anos acompanhados dos pais".

Banheiro unissex estilo "o pior do mundo": Sem tampa na privada e com papel higiênico folha simples, áspero e cor-de-rosa.

Bebum de fé: Todo boteco que se preza tem o bebum da casa, que aparece todo santo dia para bater o ponto.

Cerveja "raiz": Marca comercial tipo litrão, servida encapada com "camisinha" de isopor já puído.

Ao lado do caixa: Uma prateleira com maços de cigarro de marcas de origem duvidosa ou paraguaia — Eight, Gift, Palermo, Fox, Convair, Paris, Euro e Djarum.

Potes de conserva: Salsicha, ovo de codorna no vinagre ou aquela cebola com sardinha, tudo empilhado no balcão.

Engenharia de espaço: Caixas plásticas encardidas com garrafas vazias empilhadas na porta do banheiro.

Bebidas exclusivas: O único lugar onde você ainda encontra Mirinda, vinho Chapinha, Itubaína e as clássicas batidas Chevette e Maria Mole.

Condimentos exóticos: Catchup em diversas tonalidades de vermelho (nenhuma delas natural). Um festival para o paladar!

Cardápio de lousa: Escrito a giz e com erros ortográficos clássicos, como X-Burg, coqurete de carne ou comida self-serve virando "selv serve".

A equipe: Cozinheira robusta de chinelo de dedo e o garçom com a camisa para fora das calças e uma caneta Bic atrás da orelha.

Balas de troco: Sempre duras, ruins e guardadas dentro de um pote plástico nebuloso.

Decoração das mesas: Toalhas de plástico presas com percevejos, em mesas de madeira com marcas de queimadura de cigarro.

O segurança da porta: Um cachorro vira-lata zanzando na calçada. Ele nunca entra, senão leva um "puxão de orelha" do dono!

13.5.26

KAMM MANUFAKTUR - RESTOMOD DO PORSCHE 912


A paixão de Miklós (Miki) Kázmér pelos Porsche 912¹ motivou esse preparador de carros de Budapeste fundasse a KAMM Manufaktur que faz  Restomod (restauração + modificação) de Porsche 912 de acordo com as especificações escolhidas por seus clientes.  

Em sua oficina localizada em Budapeste, Miklós, customiza os 912. A carroceria de aço do modelo recebe reforços em varios pontos. Para diminuir o peso do carro - capô, tampa do motor, para-lamas dianteiros, portas e partes do interior do 912 são substituídas por outras peças fabricadas em fibra de carbono. Essa transformação no Porsche 912 deixa o carro 150 kg mais leve - 950 kg de fábrica para  700 kg após a customização da KAMM Manufaktur. Na motorização dos Porsches Miki utiliza uma evolução do motor flat-4 "tipo 616" original, ampliado para 2.0 litros e capaz de produzir cerca de 190 cv, e câmbio manual de 5 marchas (padrão dog-leg) com diferencial de deslizamento limitado.

O preço de um 912 KAMM Manufaktur é estimado entre €350.000 e €400.000.





¹Porsche 912 foi produzido de 1965 a 1969 como substituto do 356 e alternativa de entrada ao então novo 911. Neste período foram fabricadas quase 30.000 unidades que, além de ser mais barato, por ter menos equipamentos de série e dois cilindros a menos, também era mais leve que os 911, com menos peso na traseira e maior autonomia. Por um tempo, chegou a vender mais que seu irmão de seis cilindros, mais caro. 

https://kammanufaktur.com

@kammanufaktur_


8.5.26

AS PRIMEIRAS OBRAS DE ARTACHO NA POMPEIA


O primeiro projeto de João Artacho Jurado é um conjunto de sobrados – que ainda hoje possui todas as características originais da época – construído em um terreno grande em forma de “L”, soma de lotes lindeiros localizados na esquina da Rua Coriolano com Rua Crasso. Jurado, mais uma vez, pôde experimentar a sua arquitetura, só que agora exposta para a rua. Neste conjunto se podem notar as prototendências “artachianas” de projetar sem censura. São percebidos aqui elementos ainda muito embrionários daquela arquitetura que se tornaria famosa, mas pistas evidentes de que alguma coisa diferente estava sendo buscada. Não há um sobrado igual ao outro, mesmo os geminados, o que denuncia o exercício de um estilismo rebuscado, parecido ao de um aluno de arquitetura recém formado, ávido por aplicar todos os seus conhecimentos de uma única vez, em uma única obra. Uma ânsia de criação que ali nascia e que vai se perpetuar por toda a sua obra posterior.

Sabe-se que concomitantemente a essas casas ele fez dois rápidos exercícios em edifícios baixos – prédios ainda existentes, um construído na esquina das ruas Rafael Correa e Crasso, chamado Tupã por estar próximo à praça homônima, outro sem nome, situado na rua Cláudio e mais tarde chamado, informalmente, de Edifício Cláudio. Foi na balaustrada desses edifícios e casas que foi dado o destino para boa parte das madeiras que sobraram das obras do Parque da Água Branca. Contudo, elas foram caprichosamente trabalhadas para darem o efeito desejado – o de ornamentar as varandas dessas edificações.

Com a finalização dessas obras e a concretização das vendas financiadas pelo IPESP, a Construtora Anhanguera parte para a realização de mais alguns empreendimentos, ainda nas imediações do bairro da Água Branca. Nesta oportunidade é construída uma vila de casas na Rua Venâncio Aires (1946-47), localizada na Travessa Gondoleiro do Amor..”

*As primeiras obras de Artacho Jurado em São Paulo

Ruy Eduardo Debs Franco - arquiteto, mestre pela Universidade Mackenzie e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos


6.5.26

MARILYN: A BELEZA ALÉM DA CICATRIZ




O fotógrafo Bert Stern não hesitou ao aceitar realizar o ensaio "The Last Sitting" com Marilyn Monroe para a revista Vogue americana. Com carta branca da publicação, Stern produziu fotos que se tornaram icônicas, capturando Marilyn longe da imagem de sex Symbol e mais próxima de Norma Jeane Mortenson, seu nome de nascença.

Além de sedutora e fatal, nesse ensaio realizado em junho de 1962, na suíte 261 do Hotel Bel-Air, em Los Angeles, Marilyn também confirmou a fama de atrasada que conquistou nos sets de filmagem: deixou Stern esperando por cinco horas. Para honrar sua reputação de insegura, pediu três garrafas de champanhe Dom Pérignon.

Com a loira platinada de 1,65 m e 51 quilos relaxada, tudo estava pronto para o início do ensaio que durou três dias e exigiu pouca produção - apenas lenços e joias. No início da sessão, Marilyn perguntou: "Você quer fazer nus?". Como se tivesse acabado de pensar na possibilidade, Stern respondeu: "Essa é uma boa ideia".

Um desafio surgiu logo no início: Marilyn sentia-se constrangida com a cicatriz no abdômen, fruto de uma cirurgia de vesícula recente, e tentou escondê-la. Pediu ajuda ao seu cabeleireiro, George, para tentar disfarçá-la antes dos cliques. Stern, ao notar a marca, não a viu como uma imperfeição, mas como parte da beleza real da atriz.  

"Sem maquiagem, Marilyn pegou os lenços, sentiu a textura e transparência e percebeu a intenção do fotógrafo. 

- Tenho uma cicatriz recente de cirurgia. Vai aparecer? Ela perguntou. 

- Depende da luz. Mas pode ser retocada, disse Stern"

Em vez de esconder a marca, a sessão evoluiu para exibi-la, revelando uma Marilyn mais madura, despida de artifícios.
Stern relatou ter se lembrado de uma frase famosa da editora de moda Diana Vreeland: "Acho que não há nada mais sem graça do que uma mulher com pele lisa e perfeita. Uma mulher é bonita por suas cicatrizes".

"Foi fácil trabalhar com ela", lembra Stern. "Quis saber sobre os filmes que eu fiz; era muito curiosa. Muito divertida, engraçada, sexy, bonita."

As fotografias que revelaram uma Marilyn ao mesmo tempo deusa e mortal - com caras, bocas, pinta e a marca da cirurgia, visivelmente mais magra - não interessaram à Vogue. Dos 2.571 cliques feitos por Stern em três dias, a revista escolheu apenas as imagens com o vestido preto, publicadas um dia após a morte da atriz.

O ensaio "The Last Sitting" foi realizado seis semanas antes do falecimento de Marilyn Monroe, aos 36 anos, em 4 de agosto de 1962, por overdose de barbitúricos. De acordo com Stern, a atriz não passava por um bom momento: "Ela havia acabado de ser despedida de um filme, estava divorciada do último marido - o dramaturgo Arthur Miller - e sentia o peso da idade".

Bert Stern (1929-2013) fez nome nas décadas de 1950 e 1960, sendo crucial na redefinição da fotografia moderna. Sua paixão pela área veio por influência do pai, também fotógrafo. Profissionalmente, começou a atuar durante o serviço militar no Japão. Ao retornar, conseguiu uma oportunidade na revista Look Magazine, primeiro como entregador de correspondências e, após formar uma estreita amizade com um jovem colega da equipe, ninguém menos que Stanley Kubrick, tornou-se fotógrafo de publicidade. Em seguida, foi requisitado pela Madison Avenue, por Hollywood e pelo cenário da moda internacional; Bert estava no coração do que George Lois, lenda da publicidade americana, chamaria de "revolução criativa".

Ao longo da vida, Stern fotografou muitas atrizes, mas dizia preferir modelos, pois elas projetavam o desejo e "é excitante fotografar o desejo". Sua carreira foi ganhando força, reconhecimento e fama, mas foram as fotos de Marilyn Monroe, feitas semanas antes da morte da estrela, que colocaram Bert no pedestal da fotografia mundial, tornando-o um ícone.





2.5.26

AUGUSTA 1970 - "A PAQUERA" DA PAULISTA A DACON


Nos anos 1970, as menininhas andavam pelas calçadas da rua Augusta e os rapazes passavam de carro, subindo e descendo a rua centenas de vezes, e estacionavam onde dava para "paquerar" as mocinhas. Esse era um dos principais "programa" das noites paulistanas.  

O ponto alto foi quando os lojistas da Augusta, no natal de 1973, se uniram e simplesmente acarpetaram a rua. O mais divertido - os “boyzinhos” com suas “carangas” cantavam pneus em cima das placas de carpete, arrancando os pedaços do chão. 

O final do percurso da "azaração" era a concessionaria de automóveis DACON que vendia Porsche e Passat preparado pela empresa, sonho de consumo dos garotos classe média paulistanos.