21.5.26

BIROSCA, BOTECO E PÉ SUJO RAIZ, É...


Birosca, boteco e pé sujo são variações brasileiras de bares populares. Eles se diferenciam pelo nível de informalidade, estrutura e público, mas todos compartilham o ambiente boêmio, a cerveja gelada, os petiscos tradicionais e o bom preço.

São Paulo inventou o "boteco paulistano cenográfico chique", que as patricinhas, madames e playboys gostam de frequentar e onde os faria limers fazem happy hour e networking. Um grupo de investidores arruma um lugar em um bairro nobre de Sampa, contrata o arquiteto da moda e “faz” uma decoração bacaninha, com mesinhas antigas, azulejos brancos na parede e garrafas de cachaça fake acima do balcão, batizando o local com nomes como "Rabo de Galo", "Botequim" ou "Birosca".

Agora, para ser boteco de verdade - ser chamado de boteco, birosca e pé sujo - tem que ter personalidade, tradição e algumas características que dão o selo de autenticidade ao estabelecimento: 

O nome do boteco tem que refletir o verdadeiro espírito da "casa": Nome de santo (Santo Antônio do Categeró); nome do dono (Bar do Zé, Bar do Alemão, Bar da Cida, Bar do Chico, Bar do Pelé); ou com apóstrofo e "s" no final (Sensation's, Bambu's e Chico's).

Quadrinhos na parede: "Não aceito fiado", "Fiado só para maiores de 90 anos acompanhados dos pais".

Banheiro unissex estilo "o pior do mundo": Sem tampa na privada e com papel higiênico folha simples, áspero e cor-de-rosa.

Bebum de fé: Todo boteco que se preza tem o bebum da casa, que aparece todo santo dia para bater o ponto.

Cerveja "raiz": Marca comercial tipo litrão, servida encapada com "camisinha" de isopor já puído.

Ao lado do caixa: Uma prateleira com maços de cigarro de marcas de origem duvidosa ou paraguaia — Eight, Gift, Palermo, Fox, Convair, Paris, Euro e Djarum.

Potes de conserva: Salsicha, ovo de codorna no vinagre ou aquela cebola com sardinha, tudo empilhado no balcão.

Engenharia de espaço: Caixas plásticas encardidas com garrafas vazias empilhadas na porta do banheiro.

Bebidas exclusivas: O único lugar onde você ainda encontra Mirinda, vinho Chapinha, Itubaína e as clássicas batidas Chevette e Maria Mole.

Condimentos exóticos: Catchup em diversas tonalidades de vermelho (nenhuma delas natural). Um festival para o paladar!

Cardápio de lousa: Escrito a giz e com erros ortográficos clássicos, como X-Burg, coqurete de carne ou comida self-serve virando "selv serve".

A equipe: Cozinheira robusta de chinelo de dedo e o garçom com a camisa para fora das calças e uma caneta Bic atrás da orelha.

Balas de troco: Sempre duras, ruins e guardadas dentro de um pote plástico nebuloso.

Decoração das mesas: Toalhas de plástico presas com percevejos, em mesas de madeira com marcas de queimadura de cigarro.

O segurança da porta: Um cachorro vira-lata zanzando na calçada. Ele nunca entra, senão leva um "puxão de orelha" do dono!

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei!!!